A aproximação entre universidades e centros de pesquisa da América Latina e do Caribe está no centro de uma nova etapa da chamada pública Pepe Mujica. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) anunciou, em 9 de outubro de 2026, uma suplementação de aproximadamente R$ 160 milhões para a iniciativa, lançada originalmente em janeiro com orçamento de R$ 50 milhões.
O reforço financeiro foi anunciado após a chamada receber um volume elevado de propostas qualificadas. De acordo com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a ampliação deverá permitir o atendimento de uma parcela maior da demanda. Entre os destaques estão projetos relacionados à inteligência artificial.
Como funciona a chamada Pepe Mujica
A proposta da chamada é estimular a formação de redes de colaboração científica entre instituições brasileiras, latino-americanas e caribenhas. Na prática, os projetos selecionados deverão reunir pesquisadores de diferentes países em torno de temas comuns, favorecendo o desenvolvimento conjunto de estudos e a aproximação entre instituições da região.
Esse modelo de cooperação pode fortalecer a circulação de conhecimento e ampliar as conexões entre grupos que enfrentam desafios semelhantes. Também cria condições para que universidades e centros de pesquisa compartilhem experiências e construam iniciativas articuladas, em vez de concentrar a produção científica em poucos polos internacionais.
A chamada contempla seis áreas estratégicas: ambiente e sustentabilidade; alimentação e agricultura; energia e mineração; saúde; tecnologia da informação; e ciências humanas e sociais com foco latino-americano e caribenho. A inteligência artificial aparece principalmente no campo de tecnologia da informação, mas suas aplicações também podem alcançar outras áreas previstas na seleção, conforme o conteúdo das propostas apresentadas.
Por que a inteligência artificial ganhou espaço
O destaque dado à inteligência artificial acompanha a presença crescente da tecnologia em diferentes setores da pesquisa. Sistemas computacionais podem ser utilizados para organizar grandes volumes de dados, apoiar análises e desenvolver soluções para problemas científicos. No entanto, a chamada do CNPq não está limitada a esse tema: o edital também abrange questões ambientais, produtivas, energéticas, de saúde e sociais.
Ao incluir a inteligência artificial entre as prioridades, o financiamento público passa a estimular projetos que podem contribuir para a formação de pesquisadores e para a criação de conhecimento produzido em cooperação regional. O foco também reforça a importância de ampliar a participação latino-americana em uma área que costuma receber investimentos concentrados em Estados Unidos, Europa e Ásia.
Para universidades e grupos de pesquisa, o aporte representa uma oportunidade de disputar apoio dentro de uma chamada com orçamento ampliado. O anúncio, contudo, não significa que todos os projetos inscritos serão contemplados. A seleção ainda precisa avançar até a divulgação do resultado preliminar, e os projetos aprovados só poderão ser conhecidos após essa etapa.
Próximos passos e impacto regional
O resultado preliminar da chamada pública Pepe Mujica está previsto para ser divulgado em 20 de outubro de 2026. Até lá, a suplementação anunciada amplia a expectativa sobre a quantidade de propostas que poderá receber apoio, mas não antecipa quais instituições, pesquisadores ou projetos serão selecionados.
A iniciativa tem relevância regional porque propõe organizar a pesquisa a partir de conexões entre países da América Latina e do Caribe. Essa aproximação pode facilitar o trabalho conjunto em temas que ultrapassam fronteiras, como sustentabilidade, segurança alimentar, energia, saúde e transformação digital.
Segundo o CNPq, o aumento dos recursos responde à alta demanda qualificada registrada na chamada. A medida coloca o financiamento para pesquisa em inteligência artificial dentro de uma estratégia mais ampla de cooperação científica, sem retirar da seleção as demais áreas definidas no programa. O próximo marco será a publicação do resultado preliminar, quando será possível avaliar quais redes e linhas de pesquisa avançarão.
