Com o avanço das exigências relacionadas aos critérios ambientais, sociais e de governança, Marcello José Abbud, referência em tecnologias inovadoras para tratamento de resíduos sólidos urbanos, percebe uma transformação relevante no modo como empresas privadas passam a se relacionar com a questão dos resíduos gerados em suas operações e no entorno de suas atividades. O movimento ESG deixou de ser uma tendência corporativa restrita a grandes companhias e passou a influenciar decisões de investimento, contratação e licenciamento em diferentes setores da economia.
A dimensão ambiental do ESG coloca a gestão de resíduos no centro das avaliações de desempenho sustentável das organizações. Empresas que adotam práticas consistentes de redução, reutilização e reciclagem de resíduos ampliam sua aderência a indicadores internacionais de sustentabilidade e fortalecem sua posição frente a investidores e parceiros comerciais que incorporam filtros socioambientais em seus critérios de decisão. Para Marcello José Abbud, essa mudança de perspectiva representa uma oportunidade concreta de engajar o setor privado na solução de problemas que historicamente foram tratados apenas como responsabilidade do poder público.
O que os critérios ESG exigem em relação à gestão de resíduos?
A mensuração do desempenho ambiental nas organizações passou a incluir métricas específicas sobre a geração e a destinação de resíduos sólidos. Frameworks internacionais como o GRI e o SASB estabelecem indicadores que as empresas devem reportar sobre volumes descartados, taxas de reciclagem, incidentes ambientais relacionados a resíduos e conformidade com a legislação local. O rigor dessas exigências cresce à medida que fundos de investimento ESG ampliam sua presença nos mercados emergentes.
Na prática, cumprir esses indicadores exige que as empresas estabeleçam processos internos de controle, contratem parceiros especializados em logística reversa e destinação adequada, e invistam em tecnologias que reduzam o volume de rejeitos gerados. Conforme aponta Marcello José Abbud, a demanda corporativa por soluções ambientais verificáveis e auditáveis abre espaço para que empresas especializadas no tratamento de resíduos se posicionem como fornecedoras estratégicas dentro das cadeias de valor comprometidas com o ESG.

Logística reversa e responsabilidade compartilhada no ciclo dos resíduos
A Política Nacional de Resíduos Sólidos instituiu o conceito de responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, que atribui obrigações às empresas fabricantes, importadoras, distribuidoras e comerciantes. A logística reversa operacionaliza esse conceito ao exigir que determinadas categorias de produtos sejam recolhidas após o uso e encaminhadas para reciclagem ou tratamento adequado. Setores como embalagens, eletroeletrônicos, pneus, pilhas e medicamentos já operam sob acordos setoriais específicos.
Ainda assim, a implementação efetiva da logística reversa enfrenta desafios de escala, cobertura geográfica e custos operacionais que nem sempre são absorvidos de forma equitativa entre os agentes da cadeia. Em razão disso, Marcello José Abbud identifica a necessidade de modelos de gestão que integrem tecnologia, rastreabilidade e mecanismos de compensação financeira para viabilizar o retorno dos materiais em regiões com baixa densidade logística ou infraestrutura precária.
Consórcios intermunicipais e o papel do setor privado na escala das soluções
A escala é um fator determinante para a viabilidade econômica das soluções de tratamento de resíduos sólidos urbanos. Municípios pequenos, isoladamente, raramente geram volume suficiente para justificar o investimento em instalações de triagem, compostagem ou aproveitamento energético. Os consórcios intermunicipais surgem como alternativa para reunir volume e distribuir custos, mas sua formação exige articulação política e capacidade de gestão compartilhada, que nem sempre estão disponíveis.
O setor privado tem desempenhado um papel crescente nesse cenário, ao propor modelos de concessão e parceria público-privada que viabilizam a implantação de infraestrutura sem comprometer integralmente o orçamento municipal. Sob a perspectiva de Marcello José Abbud, a combinação entre escala consorciada e parceria privada representa o caminho mais realista para que municípios de médio porte avancem na adequação de sua gestão de resíduos aos padrões exigidos pela legislação ambiental e pelos critérios ESG que orientam o mercado de capitais.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
