Conforme comenta Paulo Roberto Gomes Fernandes, executivo da empresa Liderroll Indústria e Comércio de Suportes, a reconfiguração geopolítica iniciada com a crise na Ucrânia continua a moldar o mapa energético global. A mobilização diplomática entre Turquia, Azerbaijão e Turcomenistão, intensificada desde a reunião trilateral de Ancara, visa concretizar a construção de um gasoduto no Mar Cáspio. O projeto é a peça-chave para reduzir a dependência europeia do gás russo.
Por que o Mar Cáspio é a solução para a crise energética da Europa?
A Europa, historicamente dependente de fontes russas e enfrentando uma transição para energias renováveis que ainda se mostra cara e intermitente, voltou seus olhos para os impressionantes 292 trilhões de pés cúbicos de gás natural em reservas provadas na região do Cáspio. Paulo Roberto Gomes Fernandes destaca que a infraestrutura existente já conecta a região aos mercados europeus, mas ainda falta o elo vital que poderia transformar essa relação: o gasoduto transcaspiano.
Esta ligação estratégica uniria o Turcomenistão, localizado na costa leste do Mar Cáspio, ao Azerbaijão, na costa oeste, permitindo que o gás da Ásia Central chegue à Europa de forma eficiente e sem a necessidade de cruzar o território russo. Essa conexão não apenas diversificaria as fontes de energia da Europa, mas também contribuiria para a segurança energética do continente, reduzindo a vulnerabilidade a crises geopolíticas e fortalecendo as relações comerciais entre as nações envolvidas.
Quais fatores geopolíticos viabilizam o projeto agora?
Durante décadas, Rússia e Irã bloquearam o projeto para proteger seus próprios mercados. Contudo, o cenário mudou drasticamente. Com Moscou enfraquecida por sanções econômicas e Teerã lidando com instabilidades internas, a oposição política ao gasoduto perdeu força. Paulo Roberto Gomes Fernandes observa que o momento é único: a Convenção sobre o Estatuto Jurídico do Mar Cáspio (2018) removeu entraves legais, permitindo que a obra avance apenas com o consentimento dos países diretamente envolvidos.

Qual o papel do Turcomenistão e a oportunidade para a Liderroll?
O Turcomenistão, detentor de uma das principais reservas de gás do mundo, enfrenta uma crise econômica e precisa diversificar seus clientes além da China e Rússia. A transição de poder para o presidente Serdar Berdimuhamedov abriu janelas para investimentos estrangeiros. Paulo Roberto Gomes Fernandes ressalta que a Liderroll já participou de conversações no país para gasodutos terrestres, inclusive projetos que preveem túneis em cadeias montanhosas. A expertise da empresa em cruzar geografias complexas é fundamental para os trechos onshore que alimentarão a linha subaquática.
Por que o gasoduto é a única opção economicamente viável?
Transformar o gás em Gás Natural Liquefeito (GNL) para uma travessia curta como a do Mar Cáspio é financeiramente proibitivo. Paulo Roberto Gomes Fernandes explica que a construção do duto físico é a única maneira lucrativa de transportar o recurso. Do lado oriental, o gasoduto Leste-Oeste já conecta as reservas de Mary à costa. Falta apenas a “ponte” submarina para integrar esses sistemas.
Qual a perspectiva para a segurança energética em 2026?
Paulo Roberto Gomes Fernandes, executivo da empresa Liderroll Indústria e Comércio de Suportes, resume que em 2026 a consolidação deste corredor energético será vital para a estabilidade da Europa. Portanto, a Liderroll mantém-se posicionada estrategicamente para oferecer suas tecnologias de construção em túneis e suportação de dutos, garantindo que a infraestrutura crítica (seja nas montanhas do Turcomenistão ou nas conexões com a Turquia) seja executada com a máxima segurança e eficiência que o mercado global exige.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
